A JANELA.

Fico arreliada com o barulho lá de fora, 
Onde os fanfarrões pintam de vermelho, suas bobagens,
E com uma quiméra disfarçam o escárnio e pedem justiça ,
Pela senhoras não muito"santas",
E elas, cheias de preguiça, vão luta!
Lá pelas tantas num desmaio "casual", 
Entremostram os seios fartos, ainda original.
E num movimento lento, programado, 
Cai entre as pernas do peixe que já foi fisgado.
O beijo foi julgado, e por ele se briga, se estapeia,
O sangue quente grita, quer sair da veia, 
O perigo se estampa nos olhos,
A mulher grita! Grito fino, esquisito, semitonado,
E eu aqui ao lado, testemunha ocular dessa mixórdia,
Testemunha dos amantes, delirantes na discórdia!
É a festa dos delinquentes sem parâmetros, sem freio
E o latagão no meio, famélico pela bandeja onde estão os seios.
A lâmina brilha, cortando o ar espêsso
Eu reconheço, e entre as cortinas disfarço,
Faço que a cena esqueço!
Mas o barulho de vidros quebrados na rua, 
O sangue na calçada,
Me fazem rever a cena, do começo até o final!
E nas polegadas em cores, tantos crimes, falsos amores,
Tanta violência que nos consomem e achamos natural,
Tanta ganância, tanta fome,
Tanto sátiro se fingindo homem, 
Fingem e comem a dama do pedestal,
É burlesca a situação no xadres vermelho,
É um gigantesco espelho, um hospital,
Onde úmidas paredes envolvem canos venais,
Produzindo esses barulhos, no enorme entulho das genitais.

Di Vieira

Comentários

  1. Quando quiser falar, ao contrário do que dizem, não pense, porque se pensar, com certeza não nunca vai falar o que pensa!

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