RUA PROFANA

Rua,
Quem pôde ver te nua, não quiz te desejar
Senhora sem alma, pintada em aquarela seduz, se faz bela,
Mas esconde um abismo escuro,
Finge que não enxerga os desvalidos  atraz do muro,
Gente, meio gente, meio bicho, recolhendo restos de comida no lixo,
Pobres esquecidos da nação,
Seres sem identidade que perambulam pela cidade
Ser ter o teu voto, sem ter sonhos, sem procuração,

Rua,
Mestra sem piedade, passarela da cidade, olho do furacão
Funeral dos desafetos, dos deploráveis sem teto,
Seres sem honra, sem apelo, sem razão,
E burgueses sem olhar reclamam,
Dessa violência que mostra a cara todo dia,
O carro blindado, os seguranças, já não são mais garantia

E sobe a poeira do esconde, esconde
Quando a megalópolis enlouquece
E viaja no bonde da desesperança o povo que dança,
Dança e abraça prédio, que tédio!
Dizem ser protesto! Mas quem diria! Havia tevê!
É um entulho permissivo, delirante, prostituto,
Organizações de minuto envoltas em patacas e estrume,
Apodrece a rua cada vez mais nua como de costume.

Nessa rua onde rufiões delinqüentes debochados
Maculam a pureza dos passantes inocentes,
Cheiram, vomitam, morrem e matam.
E esses amantes indecentes vivem ociosos vagando por vielas
Por ruas pequenas, escuras, temidas, manjadas,
Onde se escondem telas entristecidas, pintadas por mãos enrugadas,
É o escárnio da vida cavando sua renda no escuro gueto
Onde há carne no espeto a venda.

A rua urbana nem de longe é humana,
Ensina humilhando a ingênua presa
Seduz com ludibriante beleza, e vai invadindo como um ladrão,
Rouba os seus direitos, e o poder do mais forte é o que impera, é tudo à vera!
Abre com muito ódio uma cratera no seu coração.
Nessa rua violenta a falsidade é nojenta e pode ser minha ou sua,
As vezes fingimos que não existe, mas o que é privado insiste  em brilhar na grua.
Oh! Rua nua, profana, desumana e crua,
Cidade urbana, de uma grande nação,
Precisa rever os direitos, do pacífico cidadão


Di Vieira

Comentários

  1. A multiforme graça de DEUS é impressionante, por instantes mesmo consternados como o sofrimento alheio, agradecemos ao CRIADOR, pois este mesmo sofrer inspira um grito surdo de alerta, mas eu tenho certeza que um dia se ouvirá, e a justiça será feita. Belo texto, sempre se superando, graça e paz maninha. abs

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  2. Obrigada pelo incentivo mano querido. Essas são situações que não podemos deixar de ver, ouvir , saber, sem ficar triste ou protestar de alguma forma.Um abração!

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