REFAZENDO OS PLANOS!




Rebato o desejo súbito de procurar olhando cada carro estacionado na calçada à beira mar, o fusquinha descaradamente caindo aos pedaços que Pedro usava para se locomover ali na pequena praia de Ponta Negra, onde íamos nos finais de semana ou quando coincidia de serem juntas, as nossas doces e felizes férias! 
Eu, Camilo e as “crianças,” Viviane, a filha do meio, Vanda, a caçula, Pedro, o meu menino, o mais velho e Marcelo, o agregado mais bem vindo em nossas vidas! Marcelo era o noivo de Viviane, mas já era praticamente meu filho , já que passava mais tempo conosco que com sua própria família. Nós o amávamos como se fosse. Durante dois anos planejamos o casamento, é isso mesmo, todos nos estávamos completamente envolvidos nesse projeto de amor que aconteceria logo que Marcelo terminasse seu curso de engenharia naval e Viviane se tornasse enfim uma engenheira ambiental, como sempre sonhara. Tudo corria muito bem, os planos eram como se fosse um desejo de contos de fada, uma linda história registrada em nossas mentes com marcas de muito carinho, sorrisos de alegria, enfim,  o amor que nos unia, era mesmo um perfume suavemente agradável, Deus só podia estar presente. 
Naquela manhã do dia vinte e dois de maio do ano de dois mil e sete, Vanda bateu na porta do  meu quarto freneticamente; naquele momento alguma coisa me dizia que  o que viria depois desse impetuoso contato não me agradaria nada! Com o coração já acelerado fui até a porta ver porque carga d’agua Vanda estava assim tão aflita deixando toda a casa em polvorosa. Preferia não ouvir aquela notícia, preferia enlouquecer de vez, e parecia mesmo que isso aconteceria se fosse verdade o que eu acabara de ouvir; O nosso sonho cor de rosa acabara! Sobre nossas vidas infelizmente desabava o maior dos pesadelos. Pedro e Marcelo, que dormira aquela noite lá em casa,  acordaram bem cedo, Marcelo tinha prova pela manhã na faculdade e Pedro aproveitou a carona, chegaria mais rápido e mais cedo ao trabalho. Cedo demais! Eles eram bênção na minha vida, e foram os meus pedaços que ficaram ali no chão naquela manhã, naquele cruzamento. E era tão cedo! Cedo pela hora, o dia só acabara de nascer! Era cedo também para o final daquelas vidas que mal começavam,  tinham tantos planos! De que jeito iríamos contar isso a Viviane? Não tem jeito bom de se dar uma notícia assim.
Hoje apesar de tudo estamos recomeçando a vida; não é mais a mesma e sabemos que nunca mais será como era, do fusquinha Camilo se desfez, nos trazia lembranças e abria feridas que ainda não estavam  totalmente saradas.
Mas agora sempre que nos lembramos deles, encontramos conforto na fé de que um dia nos encontraremos, e tudo, tudo, será melhor ainda do que a vida que tínhamos antes daquele acidente. Alguns dizem ser essa coisa de religião um opium que nas horas de grande aflição ou desespero nós mortais nos apegamos e dela fazemos uso, dizem que nos iludimos, mas se de alguma forma "isso"faz bem que mal tem?
Eu rebato gentilmente mas com toda a firmeza, que o nosso conforto não está em uma simples religião, mas na maravilhosa certeza que Deus por infinita graça colocou em nossos corações, que devemos perseverar na fé, recomeçar confiante apesar dos percalços, e continuar tocando a vida em paz até que Ele queira!




Di Vieira

Comentários

  1. Quando a tragédia chega, embora não compreendamos as razões nem as implicações, podemos CONFIAR NELE naquilo que a Sua Palavra nos fala, e deixar nas suas mãos o que não podemos entender, estando certos de que seja o que for, haja o que houver, a sua BONDADE permanecerá continuamente-sl 52.1.

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  2. Só no dia em que estivermos lá, vamos conseguir entender o quanto ELE foi amoroso com os que tanto amávamos aqui. I'm sorry!

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