QUE BOM QUE EU TE ENCONTREI!



A família Pimentel trazia como esteio a crença de que o amor pode tudo, a fé cristã havia fincado raízes fortes nos corações da mãe Dona Laura e do pai Seu Augusto e estes criaram os cinco filhos no forte ensinamento do amor ao próximo,  do amor ao ide e anunciai como quem leva na bagagem o essencial alimento para a alma sem esperança, no simples propósito de servir.
Seu Augusto e Dona Laura no entanto traziam no coração a saudade do filho mais velho Pedro que saíra  de casa aos dezessete anos. Cansara de ir a igreja, repetir sempre o mesmo cerimonial, ver sempre as mesmas pessoas, ir sempre pelo mesmo caminho essas coisas! Queria conhecer coisas novas, arejar um pouco a cabeça fora do mundinho religioso cheio de proibições era o que dizia. Enfim, saiu de casa em uma noite em que toda a família (exceto ele) estavam em um culto na igreja do bairro de Venda Nova onde Seu Augusto estava ministrando a palavra. Era o mês de novembro e o Natal se aproximava, as pessoas estavam empenhadas em arrecadar alimentos, cestas básicas para os mais necessitados e Dona Laura encabeçava os amorosos e prestativos filhos de Deus, despertando-os para o amor que socorre, o amor que não pode ser feliz se não fizer alguém feliz, o amor que não festeja o aniversário daquele que é a expressão mais forte do amor, enquanto outros ao seu redor passam fome,  Dizia: Isso é missão!
Isaías, Débora, Priscila e Paulo admiravam o empenho da mãe e motivados trabalhavam na obra sem cansaço. Enquanto isso Pedro jogava na mochila os seus pertences mais necessários, Na cabeça um mundo de sonhos, uma vida livre para fazer o que bem entendesse, e ser como bem quisesse.
Em suas conversas com Deus Dona Laura dizia não entender o porque o filho saíra de casa e o porque Ele permitira, mas logo se arrependia, não lhe cabia questionar as permissões do Pai e após pedir perdão implorava que o guardasse onde quer que estivesse e só assim adormecia.
Nunca mais ouviram falar de Pedro, passaram por todos os processos habituais da procura de desaparecidos, e nada! Nenhuma notícia! A família parecia estar conformada e a vida seguia a passos largos, afinal já se passara vinte anos! Isaías e Débora eram hoje missionários fizeram juntos a faculdade de teologia era o chamado que se encarregava de acordar a essência que estava firmada em Deus e nos bons exemplos dos pais. Priscila e Paulo seguiam o mesmo caminho como evangelizadores cuidadosos sempre e no tempo certo adubando e regando a semente do amor que bem cuidado sempre se multiplicava.
Paulo chegou na cidadezinha de Prado depois de viajar por  mais de duas horas. Fez questão  de ir de carro pois facilitaria as visitas que faria pelas redondezas no dia seguinte, evangelizar era preciso.
As preleções de Paulo ficaram famosas, multidões depois de ouvi-lo rendiam-se ao Deus de todos os deuses chorando e pedindo perdão por seus pecados, fora entrevistado por pelo menos duas revistas de sucesso, era podemos dizer, um jovem cheio de sabedoria e graça.
Depois do culto caminhava para o carro estacionado na garagem em frente a igreja, estava  acompanhado pelo ministro que o levaria até o hotel onde passaria a noite, já que na manhã seguinte o dia seria de lida. Arrazoavam sobre as maravilhosas bênçãos da noite e a boa palavra ministrada, quando uma mão frágil segurou seu braço virou-se imediatamente quando ouviu a voz que lhe dizia: Moço me dê um real pra eu comprar um pão? O coração acelerou e Paulo ficou por algum tempo sem saber o que fazer o que falar, atrás daquela barba volumosa vislumbrou o rosto querido do seu irmão Pedro mas como poderia apresentar ao seu acompanhante aquele miserável, sujo e fétido  cheirando a álcool como seu irmão, pertencente a uma família zelosa por fazer o que é correto?
Apesar da alegria de sabê-lo vivo, a vergonha de vê-lo  naquele estado, naquele momento e naquele lugar o impediu de abraçá-lo e dizer o quanto estava feliz por tê-lo encontrado.
Puxou do bolso a carteira e colocou nas mãos do bêbado a cédula que pegou primeiro. Entrou no carro sob os protestos do seu acompanhante que dizia que ele não deveria, porque os mendigos pedem dinheiro para se encherem de pinga e que bla bla bla! Paulo não ouvia mais nada, colocou o carro em movimento enquanto seu peito angustiado quase não o deixava respirar, e ainda havia aquela voz que o mandava regressar insistentemente!
Era humanamente cheio de defeitos mas era também um filho obediente e sendo assim, Paulo voltou ao ponto de partida, e com a ajuda do pastor que agora já sabia um pouco dessa história, procurou em torno da igreja por aquele irmão tão querido, que se achava perdido. As palavras do ministro ecoavam em sua mente “Paulo quem ama não sente envergonha do ser amado mesmo que seu estado seja deplorável,  porque se fosse assim o amor de Deus nunca nos alcançaria Deus nem sequer teria nos olhado.” Amem uns aos outros. Assim como eu vos amei, se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são meus seguidores! João 13-34,35. “Se alguém é rico e vê seu irmão em necessidade, mas fecha o seu coração para ele, como pode afirmar que de fato ama a Deus? Meus filhinhos o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Devemos ser um amor verdadeiro que se mostra por meio de ações. 1João 3-17,18. Quem diz: “Eu amo a Deus” e odeia o seu irmão, é mentiroso. Porque ninguém pode amar a Deus a quem não vê, se não amar o seu irmão a quem vê.1João 4-20.  E não há amor sem doação!
A festa de Natal daquele ano foi uma das reuniões mais maravilhosas que a família Pimentel e todos os vizinhos, amigos e parentes já presenciaram. A emoção tomou conta de todos pois a família havia resgatado a ovelha perdida. O filho pródigo havia voltado ao lar! Para Dona Laura, Pedro na verdade nascera de novo e sua felicidade agora seria completa.
Pedro teria um tempo de cuidados para restaurar a saúde física, mental e espiritual mas  todos sabiam disso, e sabiam também que não seria fácil. Mas unidos no amor de Deus,  juntos no amor que não se envergonha das suas mazelas, das suas imperfeições mas que faz tudo para curá-las.
Sabiam que Juntos poderiam e venceriam tudo!
Que o amor de Cristo renasça com toda a força em nossos corações nesse Natal!
Um amor que não se envergonha de abraçar e sinceramente dizer: 
"Que bom que eu te encontrei meu irmão!!!"


Di Vieira

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