Filhos concebidos pelo amor!



Não faço nada, simplesmente ouço a história e observo atentamente os olhos daquela pessoa incrivelmente linda que estava diante de mim, e que eu estava aprendendo a conhecer, e a gostar . Sim porque pra mim, gostar é um conhecer dia a dia, demanda tempo, atenção, e paciência. 
São tantas as coisas do dia a dia, tantos fatos, tantas histórias! 
Histórias lindas como esta que me fizeram olhar de frente, e dentro dos olhos dessa pessoa querida que quis Deus cruzasse o meu caminho um dia. 
Quando casou com Paulo, Sandra como todas as moças da sua idade, da sua cidade, do seu bairro, só pensava no quando seria feliz ao lado do homem que escolhera para fazer parte para sempre da sua vida, e dos filhos lindos que com ele teria, e que desde aquele momento, já eram muito amados. Teriam com certeza os olhos azuis do Pai, o gênio agitado da mãe, um pouquinho do jeito brabo do vô, a doçura e a firmeza da vó, enfim, lindos, inteligentes, e cheios de saúde. 
Sandra, com seu sangue quente e temperamento forte, é descendente de alemães, mas com um jeitinho bem brasileiro de lidar com suas emoções e sentimentos. Paulo com aqueles olhos azuis que Sandra amava tanto, descendia dos poloneses que sempre lidaram com a terra, e fizeram do chão seu sustento, mas foram na verdade, aqueles maravilhosos olhos azuis que deixaram Sandra menina, perdidamente apaixonada. Mas isso foi antes de descobrir no  dono deles, uma pessoa mais que especial, dessas com as quais queremos compartilhar nossas vidas pra sempre! Casaram-se enfim, e depois do sim, depois do amem, e depois das festas, o tempo foi de esperar pelo bebê que não vinha, por mais que tentassem! 
A mãe de Sandra queria acalma-la dizendo que as vezes quando se deseja muito alguma coisa, a ansiedade pode atrapalhar um pouco, mas era pra ter paciência que tudo ia dar certo! Sandra chorava todas as vezes que ouvia isso, chorava todas as vezes que nas reuniões familiares, tocavam no assunto, chorava principalmente quando estava sozinha no quarto, onde deixava que as lágrimas molhassem o seu travesseiro. Se fechasse os olhos podia ver em seus braços aquele bebê que sempre sonhara, com os olhinhos azuis fixos no seu, parecendo dizer:" Mãezinha eu te amo!"
Cansada da espera, Sandra resolvera adotar uma criança que de coração seria seu filho, um filho fruto da real necessidade sua de ser mãe, de doar todo o amor que trazia acumulado no peito, nascera para isso, era isso que de verdade desejava! Conversou seriamente com o marido que acolheu a ideia com muito carinho, e então foram juntos a primeira visita a um orfanato. 
Na recepção foram recebidos com carinho, e convidados a conhecer o lugar e os acolhidos moradores que ali estavam, e no segundo andar do pequeno abrigo, no quarto número seis, no cantinho de um dos bercinhos, estava ele com os olhinho atentos, curioso com a entrada das pessoas estranhas ao recinto. Seus olhinhos cruzaram com os olhos de Sandra, e ela se emocionou tanto que nem sabe explicar!
Os olhinhos não eram azuis a pele não era clarinha, mas Sandra pode sentir naquele momento que seria ele seu filho! Naquele momento o coração de Sandra de verdade acabara de parir! 
Algum tempo depois Sandra entrava em sua casa com o menino nos braços, o seu filho amado, desejado por ela e recebido com carinho por toda a Família. "Meu neguinho lindo!"é como costuma dizer carinhosamente em nossas conversas matinais.
Hoje Sandra tem mais dois filhos, que vieram depois da adoção, é, a mãe de Sandra sabia tudo o que estava dizendo, porque com a adoção veio a calma, e depois da calma vieram os filhos gerados em seu ventre. 
Engravidara primeiro de um menino, e depois de uma linda menina de olhos azuis como os do pai. Sandra é agora uma mulher realizada, descobriu que uma família é formada basicamente de amor e carinho, e que filhos gerados no ventre ou no coração, têm o mesmo peso, recebem a mesma quantidade de amor, e trazem a mesma quantidade de preocupações e alegrias. 
E lá se vão dezessete anos!!! 
Brincando, e só brincando, Sandra fala dos netos que daqui um pouco virão, e damos risadas ao comentar as escapadas noturna dos meninos. Nada alem da conta, já que eles têm uma mãe super atenta a tudo, inclusive aos horários de chegar em casa. Hoje sei muito mais, que as coisas do amor nos surpreendem, e sempre nos emocionam. Emocionam, porque rompem as barreiras do preconceito e dos achismos, nos dando a chance de olharmos nos olhos da pessoa que amamos ou que temos mil possibilidades de amar, e dizer a ela de todo o coração, o quanto a queremos bem, o quanto a amamos, independentemente de cor, nacionalidade ou credo. 
Os filhos gerado pelo amor, deveriam ser todos os filhos, independente de ser do ventre, ou pela adoção! 
Parabéns Sandra, pelos dezessete anos de amor doado a esse pequeno grande homem, e pelo amor que sei que haverá entre vocês pelo resto de suas vidas. 
Beijão minha amiga! 

Por Di Vieira

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